terça-feira, 3 de junho de 2014

Que Foi?



Hoje, aqui, neste silêncio paira a eternidade
e entre rostos humanos move-se a palidez desumana da lua.
Não há grilhões nem cadeias
sou apenas eu, momentos no tempo e palavras caladas
o corpo tornado sólido pelo ar que respiro.
A partir deste lugar
e de alma totalmente nua,
exponho-me ao nevoeiro e ao vento frio
deste dia escuro e lamentável.
Só voando, como as águias voam
posso ver-me como sou:
uma sombra de mim
com a mente enrolada num lençol,
e as cinzas da semana passada
misturadas neste cheiro de cadáver vivo.
Mas olho-me... e olho-a.
Eu morri e ela morreu
morreu mil mortes
os bocados do seu corpo foram encontrados
em muitos armários e malas...
... embora o coração bata ainda, confuso e estridente,
encadernado em sinos negros de uma rima subterrânea.

E nenhuma bandeira justa se atreve a cruzar este deserto
lavado por lágrimas de sal e de sangue.

Eu fui o meu próprio caminho solitário
começado não sei onde.
Mas vou caminhando,
levando comigo a antiguidade de um bilhão de bilhões de olhos incrédulos
que piscam turvos com uma tristeza infinita
e a necessidade eterna de chorar....

SLL

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