terça-feira, 3 de junho de 2014

Firmamento



Não existem anjos aqui hoje, não há tempo para isso.
E o menino Jesus ainda chora na sua cama de palha...
mas ele sabe porque chora.
Há apenas um momento em que o tempo pára
e é necessário contemplar:
a natureza do amor, do caos e da discórdia,
da paz e da guerra, do espírito que transcende...
Mas eu não posso falar das coisas mais ordenadas,
porque sou um ser muitas vezes composto de caos
e é assim que agora me sinto. Distante e fria.
Caótica e vazia.
e é isso que celebro neste Dezembro.
Parto só, lançando os meus desejos pelo universo
em busca de algum motivo...
um motivo qualquer
para todas as minhas perguntas.
Tornei-me muito mais do que pensei um dia ser...
e muito menos do que almejava,
mas continuo a lutar pela aurora mais brilhante .
Não estou morta nem enterrada,
nem sou um ser quebrado ou humilde!
Sou apenas Eu...
alguém cujo coração arde com o fogo do sol
e se apazigua com a tranquilidade lunar e serena...
se expande com a força da tempestade
ou abranda com a acalmia do mar
O meu trabalho é antigo e ainda mal começou,
e não será concluído sem as notas duma ténue canção
ou, quem sabe um grito de glória enquanto a vida fenece...
Não posso apagar o que me amargura no presente,
nem sequer o faria se pudesse...
antes arder como as estrelas no firmamento,
até que o universo me transforme nas cinzas do Todo...
Assim, cantemos juntos, como em épocas passadas ,
Até que possamos ensinar à humanidade esta divina melodia.
Queria construir um império
nos alicerces da paz, do amor e da unidade
mas sei-o impossível.
por isso a minha voz calada grita
como o poder que me criou pode também gritar.
Eu sou o vaso e o cálice, e por sibilas de artes mais estranhas,
ignorei-lhes a mensagem, correndo ligeira
mas já tal não é possível, e assim, caminho só,
numa estrada deserta, por todos escolhida,
deixando, sem olhar para trás a cauda de um cometa
com uma breve mensagem:
Somos fogo ardente, e nunca gelo tão gelado!
Somos Amor, e não indiferença
Somos a mão que se estende e não a que se recolhe!!!
Somos seres e não marionetas com danças e voltas
nas músicas tocadas por instrumentos alheios.
É isso e apenas isso que quero celebrar neste Natal...

SLL

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