quinta-feira, 5 de junho de 2014

Fiapos



Será que se podem criar palavras feitas apenas de emoção,
um género de emoção que não compreendemos ainda inteiramente?

Coisas tão simples como o amor e o ódio são apenas
fragmentos...
vislumbres de um vasto núcleo primordial
conjurado por nós próprios.

Olhando para trás, para aquela estrada infinita
compreendo que sempre quis ser
aquilo que já sou....

E agora já fui alguém e não sou nada.
Vendi-me para me comprar. Perdi a aposta...
e num bocado de pano velho e desgastado escrevo hoje o meu nome
com uma única gota de vermelho-sangue dos cortes do meu coração
sempre envolto num sorriso,
um cataplasma de lágrimas....

Mas a verdade está à direita de cada fenda, de cada ruga
de cada rosto,
e chega até às pontas de cada fio de cabelo que de facto,
nem existe...

No fundo, nada nos rodeia - Apenas ar.
Ar aleatório que não vemos, só sentimos.

E sento-me num raio de luar, olhando-me...
há silêncio lá fora, no meio dos ecos dos murmúrios passados
pequenas carícias apenas vislumbradas.

E as teias que teci durante a noite,
brilham agora com a luz da minha lua prateada
em cada fio existe um pensamento e uma memória,
uma palavra de amor
um sorriso, uma lágrima

e o cheiro a lavanda e a rosmaninho que flutua no ar......

SLL

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