quinta-feira, 5 de junho de 2014

Poema Sexagésimo Sétimo (excerto)



Em ti, posso mudar a esperança, a serenidade
e o imenso cansaço crescendo
dos meus braços para o mar,
entrando depois pelo teu corpo
para acender lentamente
o fogo
e pronunciar
a oração do fogo.

O que escrevo,
há muito retirei da tua voz,
esse rio que transborda em mim,
cujas margens sou eu, este eu abnegado e lutador,
capaz de florir uma alegria jovem enquanto
o fogo arde.
Não é uma coisa admirável
compartilhar o mesmo leito, como
duas gaivotas felizes
embasbacadas de azul?

Joaquim Pessoa in "Guardar o Fogo"

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