terça-feira, 3 de junho de 2014

Do Fundo do Tempo, uma Carta de Amor



Está um dia de sol. Roupa leve. Colorida. Dá-me ganas de voar. Voar contigo. Pegar-te pela cintura e olhar o mar...

O mar é grande e profundo. O mar és tu!

O mar encerra mistérios insondáveis que se perdem nos referenciais do tempo e do espaço. Lá se encontra o maior e o menor e foi lá que talvez tudo tenha começado...
”Tudo” com maiúscula. A água e a luz se combinaram e ali nasceu a Vida.

O mar é lindo e o mar és tu.

O mar é insondável e o mar és tu.

O mar me fascina e me angustia. Ali se esconde debaixo do eterno movimento das ondas, o meu inconsciente. Um inconsciente feito não sei de quê, mas que me liga indelevelmente aos outros. Aos que se foram e aos que estão. O mar me arrepia e me dá vertigem.

O mar és tu!

Quantas vezes bem junto ao mar o confundi com os teus olhos nos quais mergulhava num mergulho profundo e quase sem regresso.
Meu Deus, como amo o Mar! Mas guardo-lhe um temeroso respeito.
Há séculos que não vejo o mar. O mar que não é só a água em movimento ascendente e descendente, avançando e recuando, que abrange não apenas o rochedo e a areia ou o espaço povoado de luz e de som. O mar não é apenas aquela imensidão tocando o fundo e o céu, o tecto e o fundo.

O mar sobretudo és tu!

Amo-te tanto!
De onde vieste tu que és tão antiga e tão menina?
Apetece-me beijar-te como se beijam os que se amam.

Não és a minha alma gémea, não. Tu és um raio que surgiu a iluminar o caminho de um ponto do espaço. Eu vim do lado de lá: encontrámo-nos. Como a matéria atrai a matéria ou o espírito atrai o espírito. Cargas opostas. Atraímo-nos.

Chegou o tempo de embarcarmos no Tempo. Torna-se urgente voltarmos ao mar .Os dois. Torna-se urgente recuperar a linguagem profunda do silêncio e reencontrarmo-nos (se alguma vez nos desencontramos).

Recebe um grande beijo com sabor a maresia deste que permanece idêntico a si próprio, nas suas mil e uma maneiras de Ser e não Ser e voltar a Ser.

 AVSousa

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