terça-feira, 3 de junho de 2014

De Onde Chegam Estas Palavras



De onde me chegam estas palavras?
Nunca houve palavras para gritar a tua ausência.

Apenas o coração pulsando a solidão antes de ti 
quando o teu rosto doía no meu rosto 
e eu descobri as minhas mãos sem as tuas 
e os teus olhos não eram mais 
que o lugar escondido onde a primavera refaz o seu vestido de corolas. 

E não havia um nome para a tua ausência. 
Mas tu vieste. 
Do coração da noite?
Dos braços da manhã? 
Dos bosques do outono? 
Tu vieste. 

E acordas todas as horas. 
Preenches todos os minutos. 
Acendes todas as fogueiras. 
Escreves todas as palavras. 

Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos 
Quando toco o teu corpo 
e habito em ti 
E a noite não existe 
Porque as nossas bocas acendem na madrugada
Uma aurora de beijos. 

Oh, meu amor,
Doem-me os braços de te abraçar,
Trago as mãos acesas,
A boca desfeita

E a solidão acorda em mim um grito de silêncio 
quando 
O medo de perder-te é um cordel que pisa os meus cabelos 
E se perde depois numa estrada deserta 
por onde 
Caminhas nua
Como se estivesses triste.

Joaquim Pessoa

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