sábado, 28 de junho de 2014

A Ave



Apesar dos fardos que carregava consigo, ela só queria voar, voar apenas, num mundo em que a realidade se lhe afigura estranha e desconhecida.
Numa simples folha de árvore, escreveu os seus desejos, esperando que se transformassem em borboletas e pudessem fluir neste mundo cru e incerto.
Só queria a liberdade. A sua e a de todas as outras aves que sempre quiseram voar e a quem cortaram as asas, friamente, sem anestesia.
Era um sonho de vôo divino mas inibido para aquela ave, por isso, transformou a sua folha de desejos em crisálidas, dentro das quais colocou a sua alma... e esperou.
Esperou até que se metamorfoseassem e pudessem assim elas voar sozinhas até ao infinito, onde um deus qualquer os pudesse ler e, quem sabe, se compadecesse...
mas só encontrou o azul. Azul de paleta de artista, e então pintou um quadro na força das suas emoções. Uma tela de melodia única que só pode ouvir quem compreende...
Sonetos em clave de Fá, reflectindo os seus anseios, angústias, emoções, desejos, votos...
E essa ave sem asas, ia deixando cair as suas penas alvas a cada pincelada de tinta azul-céu, azul-mar, azul-infinito.
Cada gota uma lágrima e um sorriso porque essa ave, não era um pássaro comum...
toda ela era universo, vôo, anseio, liberdade e Amor.

SLL
(baseado num poema de P. Vicenzotti)

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