quarta-feira, 28 de maio de 2014

Mansidão



Encontrei a minha solidão numa praia tranquila e deserta.
Um canto perdido algures, onde pude deixar correr lágrimas que, quando tocadas pelo sol,
reflectiram o meu mundo em cambiantes de cinzento.
Foi aí que te encontrei, observando em silêncio a partir de um ponto que eu não havia visto antes. E amei-te!

Nos fluxos e refluxos das marés interiores, mergulho agora a caneta no tinteiro do teu desejo infinito.
Quero escrever-te a história de um tempo que jamais foi contado
onde sentimentos ocultos se desdobram na tinta da paixão que flui em mim esta noite,
para que te possa transmitir a sensação da minha necessidade de ti
como se pudesses entrar no meu coração e sentir através dele.
Vem passear na praia comigo, nesta noite de tinta e de lágrimas e de intensas melodias...
Vem mergulhar na chama alta de cem velas brilhantes, em que todas sustentam a vibração de uma energia sem futuro nem passado.

E escreve-nos o contraponto para as sinfonias que combinam os nossos corpos num prazer que tudo envolve
e se misturam com letras de prosa agridoce por momentânea...

Estas árias que foram trazidas das altas colinas, para que as cantes aqui neste tempo-espaço entre o espaço e o tempo da Vida.

Tenho fome de escrever poemas sobre o poder do amor no pergaminho quente e flexível da tua pele,
palavras secretas que apenas tu compreendas.
Quero fazer das minhas mãos as tuas palavras até que a caneta seque e eu regresse para a encher novamente nesta tinta feita de fogo,
para a caligrafia do desejo.
Afinal, a minha vida está gravada com avanços e recuos na areia desta praia,
que durarão eternamente,
e onde um só ser é feito a partir de dois...

SLL

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