quarta-feira, 28 de maio de 2014

Entende



Ser-se prisioneiro do passado é uma viagem carregada com circunstâncias traiçoeiras.
Há que evitar a mentalidade derrotista de autómatos, mas tudo aquilo por que ansiei está perdido.
Um holocausto, agora paralisado pela derrota depressão e drama.

Lá fora, outros vivem sem serem sequer molestados, sem esforços e numa postura aparentemente incontestada provocando-me a paciência.
Eu tinha o mapa com o caminho traçado, mas desapareceu... não por acaso.

Medimos as nossas realizações com uma vara cósmica de aferição no presente do indicativo...
Até percebo que tentarás persuadir, clamando a quem puder ouvir, com essa tua cara até sincera mas insensível, que não temos o direito a ser, e que temos de entendê-lo! ...
não ceder a facilidades, ou brilhos ou demónios externos.
Enfim tu sabes...
recuso-me a ser abalada, quebrada ou agravada, mas vós permaneceis sempre indecisos e numa teimosia atávica ou genética de ficar ali, aferrados, apesar das escorregadelas e tropeções frequentes.

Mas o que faremos, se nós temos o nosso próprio desejo?
Devorá-lo e lamber o prato?
Ou encomendá-lo simplesmente na internet e depois deitá-lo fora?

Não posso aceitar esta premissa de espremer almas em caixas e fuzilá-las.
Engajar-nos em esforço é uma experiência de fracasso, que aguarda para causar estragos como uma tempestade furiosa e breve.
Passou, sem que alguém se apercebesse, o tempo da colheita.

Posso ver através de ti e olho para um núcleo emocionalmente danificado por um medo individual e duro, procurando em pressa comprar um bilhete para a aceitação...
Mas esse vôo já partiu e tu não o alcançaste.
Se adiante as cadeias são removidas e a liberdade é alcançada, para quê preocupar-nos com minudências se é apenas para chegar ao fim e ali permanecer?
Plácida e definitivamente mortos...

Já não quero saber se agora estamos vivos, se há ou não há limites ou regras, imposições, fachos e bandeiras desfraldadas...
Afinal hei-de existir proscrita além do tempo.
A minha parede tornou-se uma galeria de olhares e sorrisos fracturados,
e há um cabide vazio onde todas as manhãs penduro a minha alma...
Porque eu sou cada um de vós, e ninguém.
Percebes o que eu quero dizer?

SLL

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