domingo, 12 de outubro de 2014

Nuvens



Ah, a poesia,
esse imaginário colorido.
Espírito de pensamentos e palavras
fluidas e harmónicas
em sinfonia presente de sentimentos.
Neste entrelaçar
das cordas formadas pelos meus traços no papel,
se formam as métricas desmedidas
e as rimas que não existem
a não ser nas minhas próprias melodias.
Dia após dia, vou tecendo esses fios
para obter a força
que sinto necessária...
mas o vazio resultante
da firmeza e do rigor,
acusa o cansaço extremo
dos sentidos.
Nesta maré que flui,
nesse entrelaçar de nós e de emoções,
completa-se a estrutura
de uma vida plena...
de uma vida vazia...
assim, quando eu partir,
que seja como as flores, que adormecem
e caem, pétala a pétala.
Ou talvez como uma nuvem
que, ao afastar-se
deixe atrás de si um rasto de fiapos brilhantes
que caem do céu, como chuva ligeira
e suavemente, em forma de beijos,
desçam com ternura sobre os teus cabelos...

SLL

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