domingo, 15 de fevereiro de 2015

Esse Mar...




No vaivém das ondas sinto o fluxo das tuas marés
eróticas e exóticas em pensamentos longínquos e paralelos.
A linha do horizonte limita o meu olhar, mas não a vastidão da minha alma
que se eleva e se estende por sobre aquele azul:
azul céu, azul mar, azul noite, azul tinta de pincéis de um artista qualquer.
Deixa os teus dedos vaguear nas ondas dos meus cabelos, como além o barco bolina ao sabor do vento,
sem destino, sem meta... apenas porque está...
...como eu estou, e tu estás, aqui, hoje,
aqui agora e aqui para sempre.
Fica comigo... deixa o teu coração bater no meu como batem as vagas na areia,
em que caminho descalça, e deixo voar o meu lenço de seda... também ele azul,
que leva escrito em cada fio da tecelagem um conto de amor e de vida,
de pesar e de angústia,
de esperança e de renascer...
Ah, o mar... esse mar...


SLL2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Para Além...




A cada passo que dou, a cada linha que escrevo, a tua presença impera como o fogo que consome a madeira envelhecida pelo tempo,
batida ao vento de leste, tal qual a brisa que sai dos teus lábios quando os separas para um beijo húmido e cálido como a espuma do mar.

Dança comigo pelas esferas celestes, pelos mares leitosos do universo, de cujas águas bebo, insaciável enquanto os teus braços me levam de volta a casa.

Vejo palavras sem nexo desfilando ante meus olhos enquanto contemplo todas as facetas de mim e as trabalho com a delicadeza de um amante há muito esquecido.

O mar, é eterno e tudo o que sou é simplesmente...
uma gota na imensidão de um rio

e quantos rios partem dessas águas que, quando traçadas a lápis, se vê nelas passado e presente, futuro e um destino?

O preço deste destino é uma bem-aventurança do que havia conhecido...

uma fénix fulgurante subindo dos fogos do Hades, ofuscando o sol em que se funde ao sair pela minha janela, de regresso à vida

e essa luz é reflectida nas águas doces do teu mar, ali, além de todas as praias,
para lá da areia onde se encontram paraísos incontados... coração no coração e daí para a eternidade.

Se a minha força é Luz aberta, a minha dor é a Treva profunda onde me esperas, no final do mais profundo oceano cósmico, empunhando as tintas com que coloriste e embaciaste a minha alma, não com correntes, mas com fitas de seda rubra como os meus lábios

E na minha pena correm as palavras que te perfumam, como a prata líquida que percorre os teus cabelos...

SLL2015

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Nova Era



E as estrelas arderão com o sangue da nova Era... 
Como cordeiro, une- te ao lobo, 
da mentira se farão verdades e as verdades são imutáveis sob o Eterno. 
A bravura esconde-se na capa do covarde e sob a bravata existe a covardia. 
Quando a treva do real se derramar no solo fértil e os raios de lua o fecundarem, 
a hora dos feitiços chegará 
e a bruma será rasgada pelos dentes da serpente...

SLL2015

Noite





Apagam-se as luzes, encerra-se o dia.Amanhã será lavado e posto a secar...
e no fim de contas, tudo o que resta
são os sépias, os cinzentos
os desnudos quentes e húmidos
os lábios que percorrem o vazio...
vejo-te amanhã, talvez...
numa aurora antes do amanhecer...


SLL2015

domingo, 4 de janeiro de 2015

Roda da Vida




Acendo velas para celebrar a Luz
pois apesar de ser dia, a escuridão adivinha-se densa algures...
Por isso todos os dias me visto de força, de espada e de escudo
e nesse trajo esplendoroso, permito-me ser livre.
Nada temo dos opróbrios dos meros mortais
nem me aterrorizam os seus insultos,
prossigo, limpando apenas as suas imagens da sola dos sapatos como se de pó se tratassem.
A mudança aproxima-se inexoravelmente
e calmamente me despeço de tudo o que me não serve.
Chega a hora de cortar os laços e entregar o fio a Ariadne:
nascimento, vida, morte
renascimento...
ciclo contínuo numa roda existencial e perene.
Quantos não zombam do nascimento de uma "ilusão"
que não é mais que a Luz que os "cegos" não querem ver?
Descanso por breves instantes, na sombra dum carvalho antigo
onde dançam as Dríades, e chovem gotas de orvalho...
esta alma tão antiga como a minha, lembra-me da necessidade de deitar os meus fardos à terra
a fim de que o fogo interior se expanda até alcançar os confins mais longínquos do universo
e permitir que as almas sem brilho nele se possam ao menos aquecer.


E enquanto os espíritos da natureza brincam à volta desta árvore sagrada,
a roda continua o seu percurso...

SLL2015

domingo, 7 de dezembro de 2014

A Dança



Dança a tua valsa nos meus cabelos
e permite que as almas se entrelacem,
sem limites nem cadeias.
Ah que anseio de coração,
este ressuscitar
do Amor que detém a minha alma.
Desse uivo sobreposto
ao clamor do vento em noites de tempestade,
desse sussurro do Espírito
mavioso como vozes de anjos em coro celestial...
Afago-te o rosto distante
com os olhos postos nas silhuetas que dançam também
através dos teus olhos...
jogos de luz e sombra que ensinam
a ilusão do céu como um génio da lâmpada
que brilha só de vez em quando,
como se fossem irmãos, a Lua e o Sonho
cujo feitiço se mantém na noite escura.
Mas a dança continua,
num movimento de mentes e corações
queimando a alma e os sentidos
até ao vácuo absoluto
onde a caneta goteja
e o poeta só tem sede...


SLL

sábado, 29 de novembro de 2014

Som do Silêncio




Que cansaço estranho este que me invade
enquanto a noite cai
e a lua segue o seu rumo no céu infinito.
No silêncio dos sonhos,
vagueiam lobos uivando ao sabor da brisa
e a natureza canta melodias que nos abraçam e envolvem.

Mas este cansaço, esta estranha fadiga
que me deixa apática até perante os sonhos,
que me acompanha a cada passo que dou
a cada palavra que não digo...
ah, se eu soubesse,
se eu soubesse o seu nome...
para ter a certeza da sua partida!

Seguro hoje nas mãos, palavras vindas
de pensamentos quebrados
e desejos incompletos...

Só o Amor me permite Ser:
o Alfa e o Ómega.

O princípio e o fim do infinito,
sem manual de instruções....
o uivo dos lobos,
o som do silêncio,
as letras misturadas de um poema
o coração apertado...
e a noite que não tem fim.


SLL