domingo, 7 de dezembro de 2014

A Dança



Dança a tua valsa nos meus cabelos
e permite que as almas se entrelacem,
sem limites nem cadeias.
Ah que anseio de coração,
este ressuscitar
do Amor que detém a minha alma.
Desse uivo sobreposto
ao clamor do vento em noites de tempestade,
desse sussurro do Espírito
mavioso como vozes de anjos em coro celestial...
Afago-te o rosto distante
com os olhos postos nas silhuetas que dançam também
através dos teus olhos...
jogos de luz e sombra que ensinam
a ilusão do céu como um génio da lâmpada
que brilha só de vez em quando,
como se fossem irmãos, a Lua e o Sonho
cujo feitiço se mantém na noite escura.
Mas a dança continua,
num movimento de mentes e corações
queimando a alma e os sentidos
até ao vácuo absoluto
onde a caneta goteja
e o poeta só tem sede...


SLL

sábado, 29 de novembro de 2014

Som do Silêncio




Que cansaço estranho este que me invade
enquanto a noite cai
e a lua segue o seu rumo no céu infinito.
No silêncio dos sonhos,
vagueiam lobos uivando ao sabor da brisa
e a natureza canta melodias que nos abraçam e envolvem.

Mas este cansaço, esta estranha fadiga
que me deixa apática até perante os sonhos,
que me acompanha a cada passo que dou
a cada palavra que não digo...
ah, se eu soubesse,
se eu soubesse o seu nome...
para ter a certeza da sua partida!

Seguro hoje nas mãos, palavras vindas
de pensamentos quebrados
e desejos incompletos...

Só o Amor me permite Ser:
o Alfa e o Ómega.

O princípio e o fim do infinito,
sem manual de instruções....
o uivo dos lobos,
o som do silêncio,
as letras misturadas de um poema
o coração apertado...
e a noite que não tem fim.


SLL

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ensaio sobre a paz roubada

Não é possível, no cômputo geral dos factos, deixar este texto passar em branco sem o trazer para reflexão.... não é de minha autoria, mas podia tê-lo escrito, no entanto nunca tão bem. E sofre este jovem de 32 anos pelos mesmos sentimentos e cansaço de uma mulher de 41, com 10,000 a pesar-me na alma? Sim... é sentido. E espelhado.



Após uma longa ausência, quem sabe mais prolongada do que o esperado, regresso à escrita com a serenidade de um Pai que esteve longe do seu filho primogénito para seu próprio bem.
Apesar de mais esgotado do que nunca, a ânsia de esvaziar o pensamento trouxe-me aqui…

Recomeço com o cansaço marcado no rosto e a desilusão na alma.
Hoje, enquanto escrevo este texto, o vento trouxe-me uma necessidade absoluta de mudança. Virou.
Cansei de caminhar na direcção contrária e de arrastar comigo um peso que não é meu.
Cansei de procurar e fazer força.
Abro a mão, liberto os pés e deixo o vento levar-me para onde a Vida quer.
O único peso que carrego nas minhas costas, é a minha sombra. Essa que faz parte de mim e se mostra quando o sol está radiante, e me apoia, bem cá dentro, quando escurece.
Não posso carregar mais porque não consigo.
A minha responsabilidade pelo que poderia ter sido e não foi é zero quando atrás de um Universo de aparências há loucura e destruição.

Em algum momento da minha Vida devo ter sido amaldiçoado porque, não raramente, as pessoas que mais me dizem amar são as que rapidamente se tornam minhas inimigas e me odeiam com uma força destruidora.
Não duvido que me odeiem porque são incapazes de ver a sua imagem refletida no meu rosto.
Eu sou o espelho do que as pessoas realmente são porque não guardo nada para mim.
Sinto uma necessidade louca de dizer, transpor em palavras o que sinto. Sem fugir.
Não fujo de qualquer debate, discussão ou confronto.
Não devo nada a ninguém, e nunca fizeram por mim o que tento, tantas vezes, fazer por terceiros.
Não sou condescendente porque sei quanto custa viver.
Sei mais do que deveria e aprendi antes mesmo de falar, andar ou escrever.

O mundo é um lugar estranho. Ao invés de as pessoas se adorarem, fazerem amor, abdicarem um pouco de si, vivemos numa época em que o umbigo e o ego de cada um são maiores que o planeta em que vivemos.

Não há espaço, não há margem ou rio que não transborde de arrogância.

Há muito queria ter força para mudar algumas coisas, mas hoje aprendi que o cansaço também é capaz de trazer contida um resto de esperança. Pelo cansaço se sente o palpitar de uma mudança, pela força de viver se consegue.

Ando cansado como nunca estive nos meus 32 anos. É muita coisa ao mesmo tempo, pouco tempo para absorver, muita confusão na minha cabeça e uma enorme lista de coisas para resolver.
Sempre fui uma pessoa de resolver. Não faz parte de mim a indefinição de um tempo que não se cumpre.

Eu não vivo de mentiras, promessas quebradas ou juras enganadoras. Sempre me entristece qualquer desses acontecimentos.
Ora, se eu não falto à minha palavra, se eu não quebro as minhas promessas, nem juro algo para daí a 2 ou 3 dias falhar, porque tenho de me sujeitar a ultrapassar questões que não coloco?

O mundo está, de dia para dia, a tornar-se um lugar muito estranho para mim. Já não me chega o isolamento.
A maldade sempre acha caminho.
A arrogância, sempre passa por entre as grades.
O egoísmo, sempre desperta com o meu sucesso.

Estou cansado como nunca estive e só isso me impede de sair pela cidade e espairecer um pouco.
A tristeza existe não porque mereça directamente, mas porque indirectamente a deixei entrar na minha vida e permanecer.
Enquanto escrevia este texto o vento trouxe-me uma vontade terrível de mudar.
Talvez deitar-me ajude um pouco. Mesmo que não durma saberei sempre que o corpo está em paz com a cabeça.

Bastava me deixarem, e quererem, e eu seria muito feliz.
Um dia entenderei o que tanto procuram estes guerreiros do vazio. O que defendem?

A honra de Nada?
Os seus próprios interesses, acima dos interesses gerais?
A sua alegria?
A sua felicidade?
Não me parece.

Acho que apenas não querem, e não querendo, não conseguem viver em paz.
O pior é que com isso roubam a paz de quem precisa disso para descansar finalmente…

https://fuinhosantos.wordpress.com/

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Livre!!!



Livre, livre, livre
como o ar que vai e que volta
cada dia, um desafio, cada segundo, aprendizagem
cada gesto, um gesto de Amor...
Como seria belo o mundo
se em vez de mesquinhez, azedume e vinganças,
a palavra de ordem fosse a PAZ
não a paz do dicionário
a paz profunda que vem de uma consciência lavada pelo orvalho matinal
e que provém do âmago intocável do SER
a paz que advém do AMOR.
Livre, livre, livre...
como um pássaro que voa, em perfeita harmonia
como alguém que luta sem desistir
porque assim o deseja.
Quão livre é o Amor? a Paz? a Confiança?
Tão livres como o coração de quem os possui.
Sempre e para sempre.


SLL

domingo, 12 de outubro de 2014

Nuvens



Ah, a poesia,
esse imaginário colorido.
Espírito de pensamentos e palavras
fluidas e harmónicas
em sinfonia presente de sentimentos.
Neste entrelaçar
das cordas formadas pelos meus traços no papel,
se formam as métricas desmedidas
e as rimas que não existem
a não ser nas minhas próprias melodias.
Dia após dia, vou tecendo esses fios
para obter a força
que sinto necessária...
mas o vazio resultante
da firmeza e do rigor,
acusa o cansaço extremo
dos sentidos.
Nesta maré que flui,
nesse entrelaçar de nós e de emoções,
completa-se a estrutura
de uma vida plena...
de uma vida vazia...
assim, quando eu partir,
que seja como as flores, que adormecem
e caem, pétala a pétala.
Ou talvez como uma nuvem
que, ao afastar-se
deixe atrás de si um rasto de fiapos brilhantes
que caem do céu, como chuva ligeira
e suavemente, em forma de beijos,
desçam com ternura sobre os teus cabelos...

SLL

sábado, 11 de outubro de 2014

Ausência



Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces 
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente,
a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.


Vinicius de Moraes.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Monólogo



Fala a Dama do Lago:

Dizem que os velhos dormem pouco devido à proximidade do descanso eterno, a mim, não é isso que me aflige. 
Aqui estou há milhares de anos e outros tantos passarei... Mas sim: estou velha e cansada. Tanto menos por mim como por sentir na alma a dor do mundo que aos meus olhos se desvanece. 
Assim, ergui-me das águas para contemplar a noite na beira do lago. 

E áquela hora brumosa entre a noite e o alvorecer, quando as folhas tremem com a brisa suave e os pássaros anunciam um novo dia, um raio de sol perpassou a superficie serena que havia deixado e entrevi o brilho da espada por entre as águas. 
Vi tudo de novo nesse clarão... As eras passadas e o porvir, civilizações destruidas, esquecidas, por destruir e esquecer... 
Voltei a sentir a mão segurar no punho da espada das estrelas quando foi lançada de novo a casa, enquanto aguarda um novo rei digno de lha entregar. 

Por detrás do escudo do nevoeiro, a verdade perdura, embora o Homem pareça empenhado em escondê-la... Que estranho sentir lágrimas correr numa face já feita de água... 
Ou serão as lagrimas de tantas dores que formaram o meu lago e a mim também? 
Ah, se eu ao menos pudesse... 
O que foi feito pelos Homens quase condenou o meu mundo e com ele toda a magia que encerra... Mas a habilidade de um alquimista e a magia de uma sacerdotisa poderão recuperar o que se perdeu, se a Senhora da Forja pegar no seu martelo uma outra vez. 

A esperança não morre...

SLL